ENM debate as consequências do racismo

Evento fez parte do ciclo de conferências temáticas da escola

Analisar a África e o Brasil à luz das consequências das diversas configurações do racismo foi o principal objetivo do evento virtual, promovido pela Escola Nacional da Magistratura (EMM). O debate foi transmitido pelo canal da escola no YouTube. 


“O Brasil tem uma dívida muito grande com o negro. Aqui, na escola, a gente procura de alguma forma iniciar esse resgate justamente pelo conhecimento da importância da contribuição do negro para o nosso país”, afirmou o diretor-presidente da ENM, desembargador Caetano Levi Lopes.


O palestrante Natanael dos Santos, cofundador do Núcleo de Estudo Afro-brasileiro da Unicamp, destacou a herança africana baseada na técnica e no conhecimento, a exemplo do cultivo do café. “Aqui no Brasil, o desenvolvimento da cultura do café tem a contribuição do conhecimento científico do negro. Plantar café é uma ciência até hoje. Isso é científico”, afirmou.

O professor disse ainda que essas informações não estão nos livro didáticos,e nem na história contada pela sociedade. “Se tudo isso tivesse sido aprendido na escola ou em casa, o nosso olhar para o negro seria diferente. Eu sou um colonizador”, afirmou Natanael dos Santos.

A juíza do Trabalho aposentada e consultora internacional Mylene Ramos considerou que os negros foram vítimas de um dos maiores crimes da humanidade que marca a relação da raça com o mercado de trabalho, baseada no cerceamento de direitos. Ela destacou que, ao contrário do que muitos afirmam, esse sistema não desapareceu no dia 13 de maio de 1888 com a assinatura da Lei Áurea, ensinada como a legislação que aboliu a escravidão no Brasil.

“Esse regime não terminou em 13 de maio. Essa lei não previu nenhum tipo de reparação à população negra que construiu o país com suor e sangue. Houve a expulsão dos negros, que não tiverem para onde ir e começaram a formar os morros, as comunidades nas grandes cidades, como conhecemos hoje, em Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo”, relatou.

A psicóloga Jacqueline Cruz, atuante em organizações não governamentais e instituições públicas, deu ênfase ao racismo e ao preconceito. “Entender o racismo estruturante é fundamental para entender a saúde mental da população negra. São vários os fatores que desencadeiam na saúde mental”, disse.

O evento foi mediado pelo assessor especial da ENM Marcelo Piragibe. A desembargadora aposentada do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro Ivone Caetano também participou do evento.

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