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ENM realiza Conferência Temática em homenagem a mulher negra

por Jonathas Nacaratte, em 03/08/2021 08:00:00

Evento debate as adversidades de quem luta pela dignidade humana feminina nos espaços de poder

Nesta sexta-feira (30), a Escola Nacional da Magistratura (ENM) promoveu a Conferência Temática em homenagem ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha, comemorado em 25 julho. O encontro abriu espaço para compartilhamento de experiências de autoridades femininas do Judiciário que rompem com as vulnerabilidades sociais para fazer Justiça no país.

Nota-se que a relação do brasileiro com a sua identidade e origem é algo que ainda propõe longos debates para construção do respeito mútuo entre os cidadãos. Cabe destacar que a nação se constitui de forma plural entre diversas raças, sobretudo, negra (56%). Esse dado do IBGE pode ser ainda maior em razão de o censo contabilizar àqueles que se autodeclaram como afrodescendentes. Outros tantos são, mas não se identificam com a negritude.

O diretor-presidente da ENM, desembargador Caetano Levi Lopes, trouxe a reflexão sobre a condição da mulher negra no país, que está mais suscetível ao racismo.
“Nós sabemos que a questão racial é uma evidência, embora haja quem negue sua existência. Para a mulher negra, a dificuldade ainda é maior porque temos resquícios fortes de machismo. A mentalidade tem que mudar. Não só para eliminar a questão de racismo e também a questão de gênero”, avaliou.

Durante o encontro, o assessor especial da ENM Marcelo Piragibe falou sobre a deusa Ma’at, divindade apresentada no imaginário egípcio como uma mulher negra, conhecida por personificar a ordem, a justiça e a verdade.

“A Justiça é associada a figuras femininas desde a antiguidade, a exemplo da deusa negra Ma’at, que deu origem a palavra magistrado. Ela era representada por uma pluma de avestruz, também conhecida como pena da Justiça e da verdade. É importante lembrar que a Justiça tem origem de uma mulher negra”, pontuou.

A desembargadora aposentada do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro Ivone Ferreira Caetano destacou a fala do magistrado como algo inédito.

“Quem criou a Justiça foi uma negra. Isso nunca foi falado. Nunca foi visibilizado. Por outro lado, várias rainhas africanas, que muitas vieram por meio da diáspora africana para serem escravizadas, elas são colocadas na invisibilidade”. A desembargadora acrescentou ainda, que para o negro tudo foi negado “... a cultura, a família, o conhecimento, e toda sua dignidade. A mulher negra vem acompanhando e sofrendo as maiores repercussões sobre isto.

A juíza aposentada do Trabalho e consultora global em diversidade e inclusão, Mylene Ramos,compartilhou os desafios para chegar à magistratura. Nascida na periferia paulista, ela sobreviveu às dificuldades financeiras e conquistou espaço no Poder Judiciário.

“A mulher negra vive uma exclusão histórica. Os meus pais não foram para universidade. Eu fiz curso de Direito aos 16 anos. Essa caminhada foi difícil. Vocês já repararam que a mulher negra não incomoda ninguém quando está na cozinha? A luta se torna ácida quando a mulher negra quer entrar no espaço de Poder”, afirmou.

O Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha nasceu em 1992 em um encontro de mulheres negras em Santo Domingos, na República Dominicana. Elas definiram a data e criaram uma rede para pressionar a Organização das Nações Unidas (ONU) a assumir a luta contra as opressões de raça e gênero. A Associação de Mujeres Afro, na América Latina e no Caribe, 200 milhões de pessoas se identificam como afrodescendentes.

“Esse dia [25 de julho], eu sempre gosto de contextualizar por entender que ele traz toda uma referência de algumas vulnerabilidades agregadas às vulnerabilidades da mulher não negra. O feminismo negro assumiu uma luta contra a opressão e o movimento pressionou a ONU destacar o Dia Internacional da Mulher Negra”, Silvia Cerqueira, advogada e Presidente da Comissão Nacional da Promoção de Igualdade (CFOAB).

A pesquisadora Angela Domingos da Universidade Estadual Paulista destacou que as questões sobre o racismo dizem respeito a toda sociedade. “Não é só sobre nós [mulheres negras] mas o que nós, com a nossa experiência, podemos trazer de material para que a nossa sociedade seja repensada”.

Tópicos:Conferência Temática

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