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Conferência Temática sobre Canudos destaca o heroísmo de Antonio Conselheiro em defesa dos nordestinos

por Natália Lázaro, em 18/06/2021 17:17:19

 



Live foi transmitida pelo canal da ENM no Youtube, nesta quinta-feira (17)

A Escola Nacional da Magistratura (ENM) realizou a Conferência Temática sobre "Canudos: A saga do conselheiro", que abordou a história de Antonio Conselheiro, reconhecido como herói nacional após lutar pelos direitos das minorias durante o conflito.

O diretor-presidente da ENM, desembargador Caetano Levi Lopes, ressaltou a humanidade vivenciada por Antonio Conselheiro. "Ele foi uma pessoa que fizeram fazer crer que era apenas um sertanejo analfabeto, mas que na verdade era uma pessoa de altíssima cultura, com ideais elevados, e que tento concretizar esses ideais no nordeste", registrou.

De acordo com o assessor especial da ENM Marcelo Cavalcanti Piragibe Magalhães, Canudos (1893-1897) é até hoje foco das discussões acadêmicas devido a importância do evento.

"Embora Antonio Conselheiro tenha atraído os holofotes do país inteiro por meio da imprensa, na época, e tendo sido considerado o evento mais discutido, as marcas deste triste acontecimento que marcou 25 mil pessoas continua sendo objetivo acadêmico das mais diversas áreas", comentou o magistrado.

Segundo o palestrante convidado, o vice-presidente do Instituto Popular Memorial de Canudos, Pe. Dr. José Wilson Andrade, a Guerra de Canudos ficou imortalizada na memória popular e os passos de Antonio Conselheiro devem ser seguidos como exemplo de solidariedade ao próximo.

"Canudos não morreu, continua vivo na memória, pois é um exemplo de vida de vivência comunitária e também um exemplo do que não se pode fazer mais, que é o Estado, quando contestado, mobilizar tropas pra matar seu próprio povo. Não era guerra de uma nação contra a outra, foi uma guerra das forças armadas, dos militares, contra os brasileiros", explicou.

No contexto da Guerra, o nordeste vivia um estado de pobreza extrema, com a mudança do polo econômico para o sudeste do país, deixando o ciclo da cana-de-açúcar para implementação da política café com leite. Este foi o movimento de instabilidade política, quando o Brasil deixou de ser Monarquia para virar República.

A pobreza da região foi agravada com a abolição da escravidão, que deixou negros analfabetos sem amparo para início da vida em liberdade. "O nordeste ficou largado ao 'Deus dará'", disse, o padre.

O palestrante chamou atenção, inclusive, ao fenômeno da discriminação racial contra o negro no Brasil, que foi piorado quando os escravos recém- libertados não tinham oportunidades de alavancar socialmente na vida, perdendo direitos em relação aos brancos.

"A gente nega que tenha discriminação racial no Brasil, mas a gente sabe que, quando olhamos para a magistratura, no clero, nos grandes empregos, no parlamento, a quantidade de negros ainda é mínima", argumentou.

Ao se deparar com a intensa pobreza no nordeste, Antonio Conselheiro - que era muito ligado à igreja católica - inspirado em princípios religiosos, acolheu os que ficaram excluídos com a crise econômica da região. Baseado nos livros dos Apóstolos, ele organizou a comunidade de Canudos para libertá-los dos coronéis e das injustiças sociais. "Na cabeça, ele tinha uma coisa: um desejo de libertação", explicou o palestrante.

A presidente da Associação dos Magistrados da Bahia (AMAB), Nartir Dantas Weber, lamentou as injustiças cometidas contra os brasileiros na época. "Eu sinto vergonha da nossa história por esse lado humano, e imagino quantos Canudos não tivemos nesse tempo. Esse foi o maior escândalo. Mas com certeza tiveram outros pequenos pelo Brasil, como ainda existem. Pessoas que sonham e que lutam para ter aquilo que chamam por direito", defendeu a juíza.

O presidente da Comissão Temporária de Igualdade, Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos Humanos (CIDIS) do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, desembargador Lidivaldo Reaiche, lamentou a gravidade da guerra na época. "Foi uma tragédia porque o exército usou canhões e dinamites. Se o povo nordestino sofre até hoje, imagina no final do século 18", avaliou.

Tópicos:ENMvideoconferência

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